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Bom dia Camaradas

Ondjaki
 

Ondjaki nos traz um convincente relato desses fundamentais anos de mudanças e esperanças. Não mais a visão desamparada e repleta de culpas de alguns escritores portugueses- os "tugas" -que participaram da guerra colonial, nem também a visão militante dos escritores angolanos dos tempos heróicos de Agostinho Neto, mas a visão realista e pragmática de uma classe média que tenta se erguer em meio ao caos. O menino, filho de um alto funcionário do governo, tem um pajem -o "camarada Antônio", cozinheiro e voz de uma certa camada popular -, estuda numa boa escola, que tem professores cubanos, e desfruta de algumas benesses, como pegar "boleia" (carona) no carro do Ministério e contar com telefone e "geleira" (geladeira) em casa. Bom Dia Camaradas é um desses livros não tendo sido escrito para um público específico, acabará, com toda certeza, ampliando o leque, interessando também a esta vasta massa de leitores que o mercado hoje nomeia como "jovens adultos".

Olá Pessoal, tudo bem?

Ondjaki é um autor angolano contemporâneo que teve uma formação no exterior e que se envolve em diferentes formas de arte como: artes plásticas, artes cênicas e até a direção de um documentário. Na literatura vem se destacando, inclusive ganhando prêmios importante como:Camilo Castelo Branco e o brasileiro Jabuti. Atualmente, vive no Brasil, mas segue escrevendo prioritariamente sobre sua Terra Natal.

Em Bom dia Camaradas acompanhamos um recorte na história da Angola nos anos 80, enquanto vivia uma guerra civil, que durou anos naquela disputa que dividia o mundo entre comunismo e capitalismo, a influencia dos colonizadores também ainda era muito vivida, uma vez que, a sua independência ainda era muito recente (1975). Nesse ambiente social e politico turbulento, acompanhamos a vida de um garoto do qual não sabemos o nome, mas que faz parte da elite, uma vez que, seu pai trabalha para o partido, estuda em uma boa escola com professores cubanos e tem empregado em casa o camarada Antônio, que representa o povo mais simples nessa história.

O interessante de acompanhar tudo pelo olhar da criança é que não há uma critica escancarada, mas por outro lado, fica claro o que o autor quis contar através de uma atmosfera de certa forma até cheia de lirismo.

Acompanhamos a surpresa do garoto ao ver a situação que os seus professores cubanos vivem, praticamente na privação, apesar de eles virem de um país que seria o exemplo da igualdade para todos. Outra parte interessante é quando eles recebem a visita de uma tia que vive no Portugal e vemos a surpresa deles nas pequenas coisas do dia-a-dia como o fato da tia não ter um cartão de alimentação e poder comprar o que quiser, desde que, tenha condições da pagar e claro, a cena super tensão quando eles se encontram com presidente da republica.

Com relação a linguagem temos muitos diálogos, inclusive, com muitas palavras típicas da Angola e glossário no final do livro ajuda muito a entender como um todo.

Achei um livro interessante, apesar de não ter me sentido tão tocada ou envolvida pelo mesmo, mas é uma leitura rápida e acho importante para conhecer um pouco mais sobre a Angola. Foi minha primeira incursão com o autor e faz parte do meu projeto que anda devagar, mas vai indo Lendo o Mundo.

Título: Bom dia Camarada
Autor: Ondjaki
Editora: Agir
141 páginas

Até a próxima,

Dani Moraes

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A vida privada das árvores

Alejandro Zambra
 
 
"Deixara de amá-la um segundo antes de começar a amá-la. Soa estranho, mas é assim que ele se sente: em vez de amar Karla, ele amara a possibilidade do amor, e depois a iminência do amor. Amara a ideia de um vulto se movendo entre lençóis brancos e sujos."
 


Olá pessoal, tudo bem?

Hoje gostaria de conversar sobre o livro do Desafio Diminuindo a Pilha desse mês - Livro com menos de 100 páginas e nesse caso, o livro tem 93 páginas e foi a minha primeira experiência com o Alejandro Zambra. Os livros do Zambra ficaram bastante conhecidos aqui no Brasil e infelizmente o primeiro livro Bonsai já esta esgotado e muito difícil de encontrar.

E como o livro é pequeno eu não posso falar tanta coisa assim para não revelar demais da leitura, o livro se passa em uma só noite onde Julián esta esperando a chegada da esposa Verónica que esta atrasada para voltar do curso de desenho e ele precisa colocar a enteada Daniela na cama, entanto faz a garota dormir ele conta para ela uma história: A vida privada das árvores.

"Antes do previsto, porém, Verónica deu com o ressentimento que andava procurando: aquele não era um mundo do qual quisesse fazer parte - não era, nem de longe, um mundo do qual quisesse fazer parte - não era, nem de longe, um mundo do qual ela pudesse fazer parte."

Enquanto ele aguarda a esposa passa a recordar a história dos dois, como se conheceram e como foi o relacionamento dos dois. E é uma história bastante normal, incluindo, decepções e alegrias como normalmente a vida é.

"No passado de Julián não havia nada do que fugir, mas era disso, justamente, que fugia: da mediania, das inumeráveis horas perdidas na companhia de ninguém."

Em um dado momento da história ele começa a pensar no futuro e especular como o mesmo será, se Verónica não voltar e então, já não mais sabemos se é especulação ou se aquilo é realmente o futuro se concretizou.

É um livro mais introspectivo, não acontece muita coisa, não tem grandes conflitos nada de extraordinário acontece, é um livro sobre pessoas comuns vivendo suas vidas comuns. Na verdade, o livro não me tocou tão profundamente, mas gostei da escrita do Zambra e tenho Formas de voltar para casa aqui e tenho a impressão que vou gostar mais.

Livro: A vida privada das árvores
Autor: Alejandro Zambra
Editora: Cosac Naify
93 páginas

Por hoje é isso,

Até a próxima,

Dani Moraes

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O passageiro secreto

Joseph Conrad
 


Olá Pessoal, tudo bem?

Hoje vamos conversar sobre o O passageiro secreto do Joseph Conrad que foi a minha escolha para o Desafio Diminuindo a Pilha do mês de fevereiro - autor que você nunca leu.

Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski, conhecido como Joseph Conrad, era polonês, mas tinha nascionalidade britânica, viveu entre 1857 - 1924,  foi marinheiro e o tema de mar é recorrente nas suas obras, sendo a mais famosa Coração das trevas.

Escolhi começar por essa novela do autor que foi publicada pela Cosac Naify, um capitão recém empossado em um navio acaba acolhendo um naufrago do mar. Sem o conhecimento da tripulação ele permite que o mesmo fique no navio e o esconde na própria cabine. Eles passam a ter um relacionamento de cumplicidade praticamente mudo, o naufrago ganha a confiança do capitão e também a nossa.

“Enquanto ele pendia da escada, como um nadador em repouso, os relâmpagos marinhos percorriam seus braços e pernas a cada movimento; e o revelavam espectral, prateado, lembrando um peixe. Mudo como um peixe, também.”
 
A história vai explorar a ideia do duplo e do espelho em meio a uma aura de suspense.
 
O livro é curto e muito rápido quando vê você já terminou, mas acho que é uma boa entrada para a escrita do autor.
 
Essa edição da Cosac é daquela coleção dos livros objetos, nesse caso, o livro vem em uma caixa e as páginas são duplas formando um espécie de membrana onda há ilustrações que também contam a história.
 
 
Livro: O passageiro secreto
Autor: Joseph Conrad
Editora: Cosac Naify
56 páginas
 
Fiquei com vontade de explorar um pouco mais da obra do autor.
 
E vocês já leram algo do Joseph Conrad?
 
Até a próxima,

Dani Moraes

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Recordações da casa dos Mortos

Dostoievski
 
"Há quem diga (e também já li algures) que o mais alto amor sentido pelo próximo não passa, no fundo, de mero egoísmo."
 


Olá Pessoal, tudo bem ?

Hoje vamos conversar um pouco sobre o livro que foi o meu Desafio do Skoob do mês de Novembro -  Clássico internacional: Recordações da casa dos Mortos e esse foi o meu primeiro Dostoievski e eu estava muito empolgada para conhecer esse grande escritor, tenho pouca experiência com russos, só li Tolstoi e há um bom tempo.

Nesse livro que mistura um pouco da experiência pessoal do escritor e ficção vamos conhecer um pouco sobre a vida em uma penitenciária na Rússia do século XIX e através desses personagens fazer uma reflexão sobre a Rússia e a humanidade. É considerado "um divisor de águas na obra do autor, no sentido da procura por níveis mais profundos de consciência do real e sua ambivalência."

A sucessão do czar Alexandre causou uma grande instabilidade e revoltas politicas, entre essas revoltas os intelectuais formaram um levante chamado decembristas, do qual fazia parte Dostoievski, esse levante foi derrotado pelo czar e os participantes foram condenados a morte por fuzilamento, pouco tempo antes da execução a condenação de Dostoievski foi alterada para prisão na Sibéria com trabalhos forçados, onde ele passou 4 anos.

A experiência vivida na prisão forneceu o material que o autor utilizou para escrever o livro que é introduzido como se fosse anotações que foram encontradas pelo autor, essas anotações pertenciam a  Alieksandr Peitróvitch, um nobre que matou a esposa e foi condenado a 10 anos de prisão por trabalhos forçados.

Alieksandr é um um tipo calado e que logo que entra no presídios se sente excluído pelos colegas por ser um nobre, os colegas o desprezam por não ser capaz de executar os trabalhos forçados com destreza, a natureza mais calada e introspectiva do personagem faz com que ele se torne muito observador fazendo reflexões sobre os mais diversos tipos humanos presentes na cadeia e suas relações complexas.

Uma das reflexões interessantes é sobre as punições por trabalho forçado, ele conta que as vezes os carcereiros passam atividades que não tem uma finalidade e esse é o maior castigo, até os piores bandidos conseguem se submeter a trabalhos que façam sentido, no entanto, trabalhos sem sentido são simplesmente enlouquecedores.
 
"Mais tarde compreendi que a falta de liberdade não consiste em jamais em estar segregado, e sim em estar em promiscuidade, pois o suplício inenarrável é não se poder estar sozinho."

O livro faz diversas outras reflexões, como por exemplo, como o dinheiro ainda importa mesmo na cadeia, ter algumas moedas no bolso faz com as pessoas se sintam um pouco mais livres e como as relações de poder permanecem mesmo na cadeia.

O autor não teve intenções politicas ao escrever o livro não há criticas ao sistema carcerário russo, mas sim reflexões focadas no lado humano, sendo que essas podem ser expandidas para toda a vida em sociedade.

O livro é interessante, mas não gostei tanto assim, confesso que esperava amar a leitura, mas de qualquer forma vale bastante a pena e eu tenho aqui Crime e Castigo que pretendo ser meu próximo Dostoievski.

Livro: Recordações da casa dos Mortos
Autor: Fiodor Dostoievski
Editora: Martin Claret
315 páginas

Por hoje é isso,
E vocês já leram esse livro? Gostam dos russos?
Até a próxima,
Dani Moraes

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O país das Neves

Yasunari Kawabata

Olá pessoal, tudo bem?
O livro tema de hoje do post está contando para muitos projetos e desafios diferentes: Desafio do Skoob - título com 3 palavras (artigo não conta), Livrada - Ganhador de Prêmio Nobel, Minhas Metas e Projeto Lendo o Mundo - Japão.

O livro conta a história de Shimamura, um intelectual que vive do dinheiro da família e que um dia vai visitar o país das Neves, uma região muito fria no Japão, onde conhece a gueixa Komako e passa a visita-la com frequência. Nessa história há uma terceira ponta formando uma espécie de triângulo amoroso não declarado representado por Yoko, uma jovem misteriosa que logo chamou a atenção do protagonista.

Eu ouvi falar muito bem do autor, mas sendo sincera eu não gostei tanto assim. Os personagens não me cativaram, o personagem masculino é na maior parte do tempo muito frio e distante e o pouco que sabemos sobre ele não é nem um pouco galante. Komako é o oposto ela é apaixonada e vibrante, mas ao mesmo tempo é meio inconstante, muitas vezes agindo feito louca. Yoko temos tão poucas informações e a conhecemos tão superficialmente que fica difícil de se apegar.

O melhor do livro são as descrições vívidas e poéticas, a escrita é bastante poética e transporta para aquelas paisagens. Outro ponto bastante interessante são as descrições de aspectos culturais como a confecção de um tipo específico de pano que utiliza a própria neve no processo de "curagem", além dos costumes que envolvem as próprias gueixas.

" O reflexo do espelho não era suficiente para apagar a claridade de fora, nem está, forte o bastante para ofuscar a imagem refletida no espelho. A claridade passava como um relâmpago pelo seu rosto, mas não era suficiente para ilumina-lo. A luz era fria e distante."

Resumindo eu gostei de ter lido, mas não morri de amores pela leitura e autor.

A minha edição é da Estação Liberdade e foi traduzida diretamente do japonês.

Livro: O país das Neves
Autor: Yasunari Kawabata
Editora: Estação Liberdade
156 páginas

É vocês conhecem esse autor? Já leram esse livro?

Por hoje é isso,

Até a próxima,

Dani Moraes

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Not a fairy tale

Shaida Kazie Ali




Olá Pessoal, tudo bem ?

Hoje gostaria de conversar sobre o livro: Not a fairy tale que foi o livro lido para o Desafio do Skoob do mês da Maio - Livros escritos por autores africanos e também para o meu projeto Lendo o Mundo. No caso, eu comprei esse livro em 2013 quando eu viajei para Africa do Sul e ainda não havia lido, a autora é sul-africana de Cape Town de origem indiana e esse é seu livro de estreia.O livro ainda não tem tradução para o português e para quem se interessar eu encontrei o e-book disponível na Amazon.com.

O livro é dividido em duas partes: Zuhra's tale e Salena's tale, e cada uma das partes é narrada sob a visão de uma das irmãs. A história se passa na Cidade do Cabo durante o apartheid, onde vamos acompanhar essa família de origem indiana e islâmica, que eram chamados "colored",  ou seja, eles não eram negros, mas também não eram brancos e por isso também sofreram sobre as regras segregativas, logo no inicio do livro acompanhamos a família precisando deixar Woodstock, pois o bairro foi declarado como "White only".

A família é constituída por pai, mãe e três filhos, sendo duas mulheres e um homem e logo de cara já entendemos que nessa sociedade patriarcal o filho é considerado o único que realmente tem importância na estrutura familiar e o que sobra para as garotas é tentar se encaixar no papel que é esperado delas.

Apesar do contexto politico interessante em que o livro esta inserido esse não é o enfoque da narrativa, o foco esta no contexto familiar e social em que as irmãs estão inseridas. Salena é a filha mais velha, aquela que já nasceu desagradando por ser do sexo errado, porém ela é tem a pele clara e pode ser confundida com um branco, o que para o momento histórico é uma grande vantagem, além disso, ela sempre foi a filha obediente e cumpridora das regras. Zuhra é a casula, bem mais nova do que os seus irmãos, escura e sempre pronta a desafiar as regras e o status quo da sociedade.

Intercalando a história principal são introduzidos re-contos dos mais famosos contos de fadas como: A bela e a fera, Chapeuzinho Vermelho e Cinderela, porém, geralmente esses contos são mais obscuros, algumas vezes muito tristes ou só estranhos mesmos (João e Maria, por exemplo) e nem sempre é tão fácil perceber a conexão deles com a história principal. Então,  apesar de alguns contos serem bastante interessantes em alguns momentos a presença deles era um pouco entediante.

A escrita da autora é tranquila, e inclusive o inglês é relativamente fácil, apesar de utilizar alguns palavras que eu não conhecia, muito provavelmente por eu estar mais acostumada ao inglês americano.

É interessante notar como as duas irmãs acabam tendo caminhos de vida diferente, mas nenhuma se encaixa no esteriótipo do conto de fadas, porque afinal como o próprio nome diz Not a fairy tale e sim, vida real com todas as dificuldades a ela associadas.

Para mim o mais interessante do livro é a contextualização dentro de um momento histórico mundial importante (apartheid), mas sem focar nos dois grupos protagonistas (negros e brancos) e ainda por cima nos expor uma cultura diferente (indianos, muçulmanos estrangeiros em outro país).

Livro: Not a fairy tale
Autor: Shaida Kazie Ali
Editora: Umuzi
170 páginas

Por hoje é isso,

Até a próxima,

Dani Moraes

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A montanha e o rio

Da Chen
 

Olá Pessoal, tudo bem ?

Hoje eu gostaria de conversar com vocês sobre esse livro que vai contar para muitos dos desafios aqui do blog (ou seja estou roubando...rsrs...) é o livro do mês do desafio do Skoob, mas também estava nas minha metas literárias e vai contar para o Livrada que ainda não liberei minha TBR. E além de tudo isso, ele é meu livro da China do Desafio lendo o Mundo...ufaaa....

O livro se passa na China entre 1960 e 1998, dessa forma, vamos acompanhar um momento histórico muito importante da China. Em 1960 estávamos no auge da Revolução Cultural e no governo de Maó Tsé Tung e nesse período duas das famílias mais importantes eram: Long (banqueiros) e Xia (exercito) e da união dessas duas famílias nasceu o Tan já com uma promessa de um grande futuro.  Em contraponto ao Tan temos Shento, o garoto nascido em meio a um desastre, enquanto sua mãe tentava se matar e salvo por um milagre.  O que une esses dois personagens? Shento é o filho bastardo de Ding Long, o grande general pai de Tan.

O livro é então escrito alternando o ponto de vista dos dois garotos e mais ou menos do meio do livro para frente começam a aparecer pequenos capítulos contados por Sumi, uma outra personagem de grande importância para a história, mas ainda assim, o livro é prioritariamente contado sob o ponto de vista dos dois.

A medida que a história vai passando vamos acompanhando a história desses irmãos, porém trazendo como pano de fundo a história da própria China. A princípio,  parece que teremos aquele cliché: o irmão bastardo tudo sofre enquanto o outro segue em sua vida de privilégios, mas a medida que a condição politica e social da China vai se alterando a vida dos irmãos também vai.

Os irmãos personificam uma China dividida, cada um representando o novo e o velho, a antiga ordem social e o vanguardismo que se apresenta. E o interessante é que com o passar do livro esses irmãos alternam de posição muitas vezes.

Vemos aqui representados alguns momentos históricos importantes como: a derrocada do sistema de governo de Maó e da revolução cultura, o inicio da abertura econômica e o massacre ocorrido na praça da paz celestial, mas é claro que, as razões e motivos são alterados para se adequarem a ficção criada e a vida desses dois irmãos, no entanto, não deixa de ser uma boa forma de se ter um retrato da China.

Gostei bastante do livro, a leitura é fluída, uma critica é que você não sente muita diferença no tom de quando o livro é contado pelo Shento ou Tan, mas isso não atrapalha a leitura. Tenho que admitir que não gostei muito do fim, na verdade, não sei dizer o que eu queria do fim desse livro, mas não foi exatamente isso que aconteceu, mas de maneira geral é um livro que eu recomendo a leitura, principalmente, se você se interessa por conhecer um pouco mais sobre a China.

O capítulo de abertura contando a história do nascimento do Shento merece um destaque especial.

Livro: A montanha e o Rio
Autor: Da Chen
Editora: Nova Fronteira
493 páginas.

E vocês o que andam lendo? Tem algum romance sobre a China para me indicar? Fiquei interessado no assunto?

Até a próxima,

Dani Moraes

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O cemitério de Praga

Umberto Eco
 
 
 
Olá Pessoal tudo bem?
 
Vamos conversar sobre: O cemitério de Praga que foi meu livro do desafio do Skoob do mês de Novembro - livros que tratem sobre morte ou remetam a ela e escolhi esse livro por ter cemitério no nome, porém o livro não vai tratar diretamente sobre a morte.
 
O livro é ambientado no século XIX na Europa, a maior parte do tempo na França e na Itália. É baseado nos diários de um tal Simonini e a história é narrada de quatro formas diferentes: o autointitulado narrador narrando em terceira pessoa, baseado nos diários do Simonini; o Simonini narrando em primeira pessoa e o Abade Della Piccola narrando em primeira e em alguns momentos em terceira pessoa.
 
Todos os personagens do livro são reais e históricos, exceto o personagem principal, logo no inicio do livro o Simonini já relata um encontro que ele tem um certo médico judeu alemão ou austríaco (afinal a mesma coisa) um tal Froïde. No inicio, já conhecemos um Simonini envelhecido e muito ranzinza destilando todo o seu ódio às mais diversas nacionalidades, maldizendo italianos, alemães ("o mais baixo nível concebível de humanidade"), francesas e o principal foco no seu ódio: os judeus. Ele é anti tudo, anticlerical, anticomunista, antimaçônico, mas sobretudo antissemita.
 
 
"Meu avô me descrevia aqueles olhos que nos espiam, tão falsos que nos fazem empalidecer, aqueles sorrisos víscidos, aqueles lábios de hiena arregalados sobre os dentes, aqueles olhares pesados, infectos, embrutecidos, aquelas dobras entre nariz e lábios sempre inquietos, escavados pelo ódio, aquele nariz que parece o grande bico e uma ave austral... E o olho, ah o olho.... gira febril na pupila da cor de pão tostado e revela enfermidades do fígado, corrompido pelas secreções produzidas por um ódio de 18 séculos,  aperta-se em mil pequenas rugas..."
 
Logo no começo sabemos que o Simonini tem um problema psíquico, uma espécie de bloqueio que faz com que ele se esqueça de alguns detalhes sobre a vida, sem falar na misteriosa presença do Abade Della Piccola, claro que em algumas poucas páginas você já tem um palpite que é praticamente confirmado pelos personagens sobre a relação desses dois.
 
Simonini não é exatamente uma pessoa boa e confiável, logo descobrimos que a profissão dele não é assim tão licita e graças a esse talento especial ele se vê envolvido em muitos episódios históricos importantes, entre eles a unificação da Itália , a comuna francesa e também esta na origem de alguns documentos como: os documentos do caso Dreyfus e os protocolos de Sião, inclusive, o cemitério de Praga do título vem do cenário escolhido para ambientar o documento.
 
Os protocolos dos sábios de Sião são documentos que foram forjados pela policia secreta do Czar Nicolau II da Russia por motivos políticos, nele eram descritos o plano da suposta conspiração judia-maçônica para dominar o mundo. Hitler utilizou esses documentos como justificativa para a solução final dirigida aos judeus, inclusive já indiquei aqui no blog um documentário sobre Auschwitz  e o plano de extermínio dos judeus.
 
 
“Um dia será necessário tentar a única solução razoável, a solução final: o extermínio de todos os judeus. Até as crianças? Até as crianças. Sim, eu sei, pode parecer uma ideia típica de Herodes, mas, quando se lida com a semente ruim, não basta cortar a planta, convém arrancá-la. Se o senhor não quer mosquitos, mate as larvas.”  (Familiar??)
 

O cemitério de Praga realmente existe e fica em um bairro judeu em Praga e foi utilizado desde o inicio do século de XV até 1787, é o mais antigo cemitério judeu da Europa, tem mais de 12 mil tumbas visíveis, mas como as tumbas se sobrepõe pode chegar a 100 mil tumbas. Fato é que é mais um lugar para eu conhecer na Europa.
 
Esse livro fez uma coisa que eu adoro, por ser ambientado em fatos históricos reais  me despertou a curiosidade sobre os mesmos e me levou a pesquisar um pouco mais sobre, por exemplo, os carbonários, a unificação da Itália e os protocolos de Sião. Em um momento que ele fala sobre um tal pianista polonês tisico que andava com uma mulher transvestida, recorri ao meu amigo google e descobri que ele estava falando do Chopin, que teve um relacionamento com George Sand, considerada a maior escritora francesa e a primeira a viver de literatura, que tinha o costuma de utilizar roupas masculinas, da qual, eu nunca tinha ouvido falar.
 
O livro é muito bom e consegui manter o interesse, no entanto, a narrativa, às vezes, fica um pouco entroncada, culpa das frases longas, grandes descrições, além disso, temos algumas frases em latim, francês e italiano sem tradução (na verdade minha proficiência nessas línguas é um tanto decepcionante) que quebram o ritmo de leitura e como sabemos o Eco tem como característica a erudição, então não e incomum encontramos palavras como mixórdia, trôpegas e outras. Porém, isso não atrapalhou a minha experiência de leitura, mas achei importante comentar por aqui.
 
Esse livro também contou para o projeto lendo o mundo representando a Itália. 
 
Livro: O cemitério de Praga
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
479 páginas
 
Acho que é isso e vocês já leram esse livro ? Gostariam de ler? Deixem aí seus comentários.
 
Até mais,
 
Dani Moraes
 
 

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A menina que roubava livros - Lendo o mundo #5

 Markus Zusak

"Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler"

Olá pessoal, tudo bem?

Desculpem o sumiço, mas como vocês sabem eu estou viajando, porém preparem-se porque logo mais voltaremos a programação normal e com muitos posta da viagem.

Mas o post de hoje é sobre o livro do desafio do Skoob - livros que se passam no inverno ou tenham capas que remetam ao inverno.

Eu já tenho esse livro a muitos anos, mas por um motivo ou outro acabei nunca lendo por isso achei interessante colocar no desafio.

Para quem não conhece a história o livro se passa durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha e conta a história da Liesel, uma garota alemã. A história começa durante uma viagem, a mãe de Liesel não pode manter os filhos e precisa deixa-los com uma família alemã na cidade de Molching, no entanto, o irmãozinho da Liesel não resistiu e faleceu durante a viagem. Durante o enterro ela comete o primeiro furto e se apossa de um manual de coveiros.

Na nova cidade ela passa a viver com os Hubbermann e desde o princípio já percebemos o quanto Hans, o pai, é incrível e especial. A mãe, Rosa, é grossa e gosta de gritar, no entanto, o narrador deixa claro o quanto ela ama Liesel. Ela também fará amizade com um vizinho Rudy Steiner que é um dos personagens mais fofos.

A relação da Liesel com os livros é muito interessante no início ela nem sequer sabe ler, e no entanto, se sente atraída por eles. Essa atração me lembrou Fahrenheit 451 quando o personagem não entendia a razão desse sentimentos. Aos poucos, a garota vai aprendendo a ler e também o significado que as palavras podem ter na vida.

Não quero dar spoilers, mas durante o livro vamos conhecer Max, outro personagem fofo, e através dele Liesel irá aprender muito sobre a vida.

O livro tem cenas muito tocantes, por exemplo, quando Liesel e Rudy alimentam os judeus.

O narrador tem um jeito todo especial de contar a história dando spoiler do que vai acontecer, mas isso não é ruim, na verdade, faz você querer saber o como. Mais uma prova que nem sempre spoilers são ruins.

É uma história que traz como cenário a segunda guerra, no entanto, a guerra não é o principal. Ela trata essencialmente do poder das palavras seja para o bem ou para o mal.

É uma leitura muito acessível e que vale a pena.

Por hoje é isso e até a próxima.

Bjus,

Dani

PS.: Esqueci de falar esse livro também faz parte do projeto Lendo o mundo representando a Austrália no próximo post do projeto farei a atualização.

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As aventuras de PI - Lendo o mundo #4

Yann Martel
"Escolher a dúvida como filosofia de vida equivale a escolha da imobilidade como meio de transporte."

Olá Pessoal,
Tudo bem ?

Hoje vamos conversar sobre o livro "A vida de Pi", mas que nessa minha edição ficou com o nome "As aventuras de Pi", por causa do filme e inclusive a capa é do filme, mas não ficou feia não, apesar de eu gostar bastante da original.


"O que as pessoas não entendem é que é só internamente que Deus precisa ser defendido, não externamente. Deviam dirigir a sua fúria contra si mesmas. Pois o mal exterior nada mais é que o mal interior que conseguiu escapar."

Esse foi o primeiro livro que saiu na minha TBR por país para o projeto Lendo o mundo, ele esta representando a Espanha porque o autor apesar de viver no Canadá é espanhol.

E vamos começar pelas polemicas: o autor teria plagiado um livro chamado "Max e os felinos" do autor brasileiro Moacir Scliar, mas o Moacir nunca processou o Yann e aparentemente, o autor espanhol admitiu que se inspirou em uma critica ao livro de Scliar e agradeceu ao mesmo no prefacio do livro (na minha edição não tem nenhuma citação ao Scliar). Deixando a polemica de lado o livro foi o vencedor do Booker Prize de 2002 e se tornou um filme de sucesso.

O livro conta a história de um garoto Pi Patel criado em zoológico em Pondicherry na Índia. Pi é um cara muito religioso, o problema é que ele não decide qual a religião seguir e se diz: católico, indu e mulçumano. Quando ele foi fazer faculdade estudou zoologia e estudos religiosos.

"Ás vezes, eu misturava os meus dois cursos universitários. Vários dos meus colegas de estudos religiosos - uns agnósticos confusos que não sabiam o que era o quê; que eram escravos da razão, esse falso outro que engana os tolos com seu brilho - me lembravam as preguiças-de-três-dedos; e esses animais, um belíssimo exemplo do milagre da vida, me faziam pensar em Deus."
Seus pais resolvem se mudar para o Canadá e depois de um naufrágio Pi acaba se vendo preso sozinho em alto mar com uma zebra ferida, uma hiena malhada, uma orangotango nauseada e um tigre-de-bengada chamado Richard Parker. E ele tem que usar todo o seu conhecimento em vida animal, sua esperteza e sua fé para sobreviver os 227 dias que passa a deriva em alto mar.
O livro é muito reflexivo e acaba trazendo várias discussões e uma das primeiras que surgem é sobre os zoológicos e aqueles que defendem o fim deles e que falam dos zoológicos como prisões e etc, eu achei o ponto de vista bem interessante e vou transcrever um trecho:
"Na natureza, os bichos levam uma vida de compulsão e necessidade, dentro de uma hierarquia social impiedosa, num hábitat em que o medo existe em altíssima escala e a comida é escassa, o território precisa ser constantemente defendido e os parasitas eternamente suportados. Qual o significado da liberdade num contexto como esse? Na prática, os animais não são livres no espaço nem no tempo, e tampouco nas suas relações pessoais.." "Não vivemos dizendo 'Nada como a nossa casa'? Com certeza, os animais sentem a mesma coisa. Eles são seres territoriais. Essa é a chave para compreender a sua mente. Só um território familiar pode lhes permitir arcar com os dois imperativos da natureza: evitar inimigos e conseguir água e comida. O cercado do zoológico sadio, do ponto de vista biológico (...) é pura e simplesmente um outro território cujas únicas peculiaridades são o tamanho e a proximidade com o território dos humanos."
Como eu disse o livro é muito reflexivo, porque o Pi acaba tendo uma relação com os animais em alto mar e, especialmente, com o Richard Parker que leva a muitas reflexições sobre a vida, sobre a fé e, inclusive, ficamos em dúvida se isso tudo não é só uma parábola para representar as diversas facetas do próprio Pi.
O livro é formado por capítulos pequenos e isso ajuda bastante a leitura a ficar mais fluida e também faz com que o livro tenha um ritmo bem interessante, pois a cada capitulo é tratado um assunto, às vezes, é um relato da vida diário e no seguinte temos uma reflexão sobre um aspecto da vida e nesse quesito, o capitulo 56 que tem como temo o medo é sensacional!
" Preciso dizer uma coisa sobre o medo. Ele é o único adversário efetivo da vida. Só o medo pode derrota-la. É um adversário traiçoeiro, esperto..."

Esse livro é citado em 1001 livros para ler antes de morrer:

Esse livro me fez pensar bastante e realmente recomendo a leitura, esqueçam um pouco as polemicas, se nem o Moacir Scliar quis ir atrás, deixem vocês também isso para lá e apreciem a obra. Ele esta sempre em promoção bem baratinho.

Preciso falar um pouquinho da minha edição, é capa do filme como eu disse, mas eu estou muito satisfeita com as edições da Nova Fronteira, assim como Morte Súbita, o papel é uma delicia de ler e o livro é um "Paperback" de qualidade não escarça e o livro fica novinho depois de lido.


Livro: As aventuras de Pi (A vida de Pi)
Autor: Yann Martel
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2012
371 páginas

Atualizando o projeto:

Afeganistão: Khaled Hosseini – O silencio das montanhas
África do Sul: Shaida Kazie Ali – Not a fairy tale
Alemanha: Schopenhauer – A arte de ser feliz
Austrália: Markus Zusak – A menina que roubava livros
China: Da Chen – A montanha e o rio/Sun Tzu – A arte da guerra
Espanha: Yann Martel: As aventuras de Pi
EUA: Sylvia Plath – The Bell Jar/J.D. Salinger – The Catcher in the rye
França: Vitor Hugo – Os miseráveis/Alexandre Dumas - O conde de monte Cristo
Grécia: Platão – Apologia de Sócrates
Holanda: Barbara Stok - Vicent
Índia: Lawrence Durrell – O quarteto de Alexandria
Irã: Marjori Satrapi - Persépolis
Irlanda: Oscar Wilde – O retrato de Dorian Gray/Marian Keyes – A estrela mais brilhante do céu
Itália: Umberto Eco – O cemitério de Praga
Japão: Mushashi – O livro dos cinco anéis/Yasunari Kawabata – O pais das neves
Peru: Mario Vargas Llosa – A tentação do impossível
Reino Unido: Arthur Conan Doyle – Um estudo em vermelho
República Tcheca: Franz Kafka – O processo
Rússia: Dostoiévski - Recordações da casa dos mortos/ Irmãos Karamázov
Suecia: Stieg Larsson – A menina que brincava com fogo
Suiça: Carl G. Jung – O homem e seus símbolos
Uruguai: Eduardo Galeano – Días y noches de amor y de guerra


Por hoje é isso,

Se você já leu esse livro e quiser comentar vou ficar bem feliz. Se gostou clique aqui do lado para seguir o blog e saber das novidades em primeira mão. Curta também a página no facebook, lá você vai saber as novidades do blog e do mundo da literatura e muito mais.

Abraços,

Dani Moraes

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Um estudo em Vermelho - Lendo o mundo #3

Sir Arthur Conan Doyle
Olá Pessoal, tudo bem?

Esse livro também entrou para o projeto lendo o Mundo representando o Reino Unido.

Esse é o livro em que somos apresentados a um dos (senão o mais) personagens mais representados da história da literatura, até uma pessoa que como eu nunca havia lido uma das suas histórias já vi algumas de suas representações e adaptações, fora as milhares de referencias nos mais diferentes meios.
Nessa primeira história, descobrimos como Sherlock Holmes e Watson se conheceram. Watson um medico recém retornado da guerra no Afeganistão precisa de um lugar para morar Sherlock, uma figura estranha de profissão não muito definida, precisa de alguém para dividir o apartamento.
Conhecemos essa figura peculiar: Holmes é um gênio, se empolga para descobrir mistérios, mas permanece dias e dias entregue a uma depressão profunda sem se mover do sofá, ou seja, nosso querido Sherlock parece sofrer de bipolaridade. Watson se intriga tanto com essa figura que faz até uma lista sobre ele, que incluía: conhecimentos em filosofia, astronomia, literatura: zero, botânica: variável. Versado em beladona, ópio e venenos em geral. Não sabe nada de jardinagem prática. Química: profundo e por aí vai.
Então, surge um caso intrigante, uma pessoa esta morta em uma casa vazia e não há marcas de assassinato e começa então a investigação.
Para ser bem sincera eu não tenho ideia de como ele chegou ao culpado, depois que ele explicou deu para seguir o raciocínio, mas não deu tempo de conhecer os personagens para tentar chegar no culpado.
Achei a segunda parte incrível, tem toda a explicação para o crime e a primeira parte,  achei que amarração foi perfeita. No começo você não entende muito bem como toda aquela história vai se conectar com o crime, mas aos poucos os nomes vão surgindo e você começa a entender todas as relações e o livro para mim vale pela segunda parte.
Gostei bastante e quero conhecer mais coisas histórias do Sherlock.
A minha edição é da coleção bolso de luxo da Zahar e é a fofura em forma de livro com diferentes ilustrações das diferentes edições do livro:


Título: Um estudo em vermelho
Autor: Arthur Conan Doyle
Editora: Zahar
Ano: 2013
190 páginas

Sempre que um livro estiver no projeto eu vou tentar atualizar o mesmo no final:

Afeganistão: Khaled Hosseini – O silencio das montanhas
África do Sul: Shaida Kazie Ali – Not a fairy tale
Alemanha: Schopenhauer – A arte de ser feliz
Austrália: Markus Zusak – A menina que roubava livros
Brasil: Graciliano Ramos – São Bernardo/ Euclides da Cunha – Os sertões
China: Da Chen – A montanha e o rio/Sun Tzu – A arte da guerra
Espanha: Yann Martel: As aventuras de Pi
EUA: Sylvia Plath – The Bell Jar/J.D. Salinger – The Catcher in the rye
França: Vitor Hugo – Os miseráveis/Alexandre Dumas - O conde de monte Cristo
Grécia: Platão – Apologia de Sócrates
Holanda: Barbara Stok - Vicent
Índia: Lawrence Durrell – O quarteto de Alexandria
Irã: Marjori Satrapi - Persépolis
Irlanda: Oscar Wilde – O retrato de Dorian Gray/Marian Keyes – A estrela mais brilhante do céu
Itália: Umberto Eco – O cemitério de Praga
Japão: Mushashi – O livro dos cinco anéis/Yasunari Kawabata – O pais das neves
Peru: Mario Vargas Llosa – A tentação do impossível
Reino Unido: Arthur Conan Doyle – Um estudo em vermelho
República Tcheca: Franz Kafka – O processo
Rússia: Dostoiévski - Recordações da casa dos mortos/ Irmãos Karamázov
Suecia: Stieg Larsson – A menina que brincava com fogo
Suiça: Carl G. Jung – O homem e seus símbolos
Uruguai: Eduardo Galeano – Días y noches de amor y de guerra

Por hoje e isso,
Até mais,
Dani Moraes

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Vincent - Lendo o Mundo #2

Barbara Stok
Oi Pessoal, tudo bem ?
Esse é o primeiro post de resenha do meu projeto Lendo o Mundo, porque sim, no meu projeto vale Graphic Novel e esse é o representante da Holanda.

Esse livro é uma biografia do Vicent van Gogh em quadrinhos focada na sua fase mais criativa, no entanto, a que ele também estava mais transtornado. Ele era obsessivo pelo trabalho e  se sentia muito culpado por toda a despesa financeira que ele dava para o irmão.O grande trunfo do livro é trazer parte da correspondência entre Vincent e o irmão e assim podemos visualizar um pouco mais o que atormentava a cabeça transtornada do Vincent.

Eu achei o traço muito fofo e adorei, mas foi justamente isso que incomodou a Gisele do Vamos falar sobre livros, mas eu adorei achei que deu um tom mais leve para uma história de vida um tanto quanto sombria. Também gostei das representações que ela fez nos momentos de alucinação do Vincent:

Ela tentou representar o processo criativo do van Gogh que era muito baseado no amor e na admiração que ele tinha pela natureza e suas cores:

Representou suas principais obras, incluindo o auto retrato na capa:


Eu conheço pouco de arte, mas sempre gostei muito das obras do van Gogh pelo traço forte e pelo colorido e acho que a autora conseguiu expressar isso com muita honra. Gostei também de conhecer um pouco dessa relação bonita do pintor com o irmão.

"Devemos puxar o arado até ele não se mover mais. Enquanto pudermos, devemos olhar admirados para as margaridas e para os torrões de terra recém-arada e para os galhos dos arbustos que brotam na primavera, os céus serenos de azul límpido, as grandes nuvens de outono, as árvores nuas do inverno, o sol, a lua e as estrelas. Aconteça o que acontecer isso nos pertence."

Gostei muito e acho que comecei o projeto muito bem.

Livro: Vincent
Autor: Barbara Stok
Editora: L&PM Editores
Classificação: Graphic Novel
Ano:2014
141 páginas

Sempre que um livro estiver no projeto eu vou tentar atualizar o mesmo no final:

Afeganistão: Khaled Hosseini – O silencio das montanhas
África do Sul: Shaida Kazie Ali – Not a fairy tale
Alemanha: Schopenhauer – A arte de ser feliz
Austrália: Markus Zusak – A menina que roubava livros
Brasil: Graciliano Ramos – São Bernardo/ Euclides da Cunha – Os sertões
China: Da Chen – A montanha e o rio/Sun Tzu – A arte da guerra
Espanha: Yann Martel: As aventuras de Pi
EUA: Sylvia Plath – The Bell Jar/J.D. Salinger – The Catcher in the rye
França: Vitor Hugo – Os miseráveis/Alexandre Dumas - O conde de monte Cristo
Grécia: Platão – Apologia de Sócrates
Holanda: Barbara Stok - Vicent
Índia: Lawrence Durrell – O quarteto de Alexandria
Irã: Marjori Satrapi - Persépolis
Irlanda: Oscar Wilde – O retrato de Dorian Gray/Marian Keyes – A estrela mais brilhante do céu
Itália: Umberto Eco – O cemitério de Praga
Japão: Mushashi – O livro dos cinco anéis/Yasunari Kawabata – O pais das neves
Peru: Mario Vargas Llosa – A tentação do impossível
Reino Unido: Arthur Conan Doyle – Um estudo em vermelho/Mary Shelley - Frankenstein
República Tcheca: Franz Kafka – O processo
Rússia: Dostoiévski - Recordações da casa dos mortos/ Irmãos Karamázov
Suecia: Stieg Larsson – A menina que brincava com fogo
Suiça: Carl G. Jung – O homem e seus símbolos
Uruguai: Eduardo Galeano – Días y noches de amor y de guerra

É isso gente,
Até mais,
Dani Moraes
 

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Projeto: Lendo o mundo # 1


Olá galera,

Tudo bem?
Hoje eu estou aqui para compartilhar com vocês mais um projeto literário (sim eu sei já tenho vários), dessa vez, o projeto tem por inspiração a Mel do blog Literature-se.

A Mel fez o projeto inspirada em dois outros projetos, o bastante famoso da escritora que leu livros de todos os países  durante 1 ano – A year of Reading world. Além disso, o blog Viaggiando fez um projeto similar, porém sem colocar um prazo definido para finalizar.
Eu vou utilizar a lista das meninas, ou seja, os 193 países membros da ONU e seus dois estados-observadores (Palestina e Vaticano), além de Kosovo, Taiwan e Saara Ocidental. Com certeza esse será um projeto para vida, não tenho a menor pretensão se finaliza-lo em 1, 2 ou 3 anos. Até porque eu vou continuar lendo outras coisas e fazendo outros projetos, mas como eu adorei a ideia eu vou começar, mesmo que seja devagar.

Para começar na minha estante eu tenho muitos livros não lidos e eu fiz uma classificação pelo país de origem dos seus autores e vou começar por esses e depois que todos forem lidos eu poderei adquirir livros especificamente para esse projeto.

Como eu vou selecionar? Aleatoriamente, eu tenho outras metas de leitura e se por acaso algum dos livros coincidirem ótimo. Além disso, eu vou fazer uma TBR  Jar com os nomes dos países e vou alternar retirando os papeizinhos, ora da minha TBR Jar normal e ora retirando da minha TBR por país.

Segue abaixo a minha listinha:
*Afeganistão: Khaled Hosseini – O silencio das montanhas
*África do Sul: Shaida Kazie Ali – Not  a fairy tale
*Alemanha: Schopenhauer – A arte de ser feliz
Austrália: Markus Zusak – A menina que roubava livros
*Brasil: Graciliano Ramos – São Bernardo/ Euclides da Cunha – Os sertões
*China: Da Chen – A montanha e o rio/Sun Tzu – A arte da guerra
Espanha: Yann Martel: As aventuras de Pi
*EUA: Sylvia Plath – The Bell Jar/J.D. Salinger – The Catcher in the rye
França:Os miseráveis - Victor Hugo
Grécia: Platão – Apologia de Sócrates
Holanda: Barbara Stok - Vicent
Índia: Lawrence Durrell – O quarteto de Alexandria
Irã: Marjori Satrapi - Persépolis
Irlanda: Oscar Wilde – O retrato de Dorian Gray/Marian Keyes – A estrela mais brilhante do céu
*Itália: Umberto Eco – O cemitério de Praga
Japão: Mushashi – O livro dos cinco anéis/Yasunari Kawabata – O pais das neves/Solanin - Inio Asano
Peru: Mario Vargas Llosa – A tentação do impossível
Reino Unido: Arthur Conan Doyle – Um estudo em vermelho/Mary Shelley - Frankenstein
*República Tcheca: Franz Kafka – O processo
*Rússia: Dostoiévski - Recordações da casa dos mortos/ Irmãos Karamázov
*Suecia: Stieg Larsson – A menina que brincava com fogo
Suiça: Carl G. Jung – O homem e seus símbolos
Uruguai: Eduardo Galeano – Días y noches de amor y de guerra

 *Identificam países que eu já fiz leituras anteriormente, mas não vou considerar para o projeto porque vou considerar começando agora.
Essa lista é mutável, ou seja, conforme os livros forem entrando na minha vida vão indo para esse listinha.

Para começar eu já tirei o primeiro papelzinho... E foi Espanha, achei muito legal porque coincide com o meu projeto de livros iniciados.



Basicamente é isso, vamos encarar esse desafio?
http://www.asverdadesqueopinoquioconta.blogspot.com.br/2015/02/diario-de-leitura-os-miseraveis-1-pag.html
Deixa nos comentários se você também quiser entrar nessa, vou adorar a sua companhia.


Crédito da imagem: Mel do Literature-se
Até mais,
Dani Moraes

Obs.: Esqueci de falar que já estou lendo Os miseráveis para França e estou fazendo diário de leitura


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Diário de leitura - Os miseráveis # 1 (Pag 110)

Vitor Hugo
 
 
"Verdade ou mentira, muitas vezes o que se diz dos homens tem tanta importância em sua vida como o que estes realmente fazem."

Oi Pessoal,
Tubo bem?

Vou tentar fazer uma coisa diferente aqui no blog, que vi algumas pessoas fazendo, mas eu particularmente nunca tentei: um diário de leitura.

A Francine do canal Livros&Café esta fazendo diário de leitura do Graça Infinita - David Foster Wallace e nesse vídeo ela explicou mais ou menos como fazer o diário e o porque ela faz diário de leitura e achei que seria interessante tentar fazer isso com "Os miseráveis", uma vez que, o livro é gigante (1972 páginas) comecei a ler ano passado e dei aquela parada e acho que vou demorar bastante para terminar a leitura e como esse é um clássico que promete ser uma leitura maravilhosa acho que vale a pena esse investimento.

Vou tentar fazer esse diário aqui no blog a cada 100 páginas mais ou menos.

Eu li 66 páginas ano passado e não estava fazendo esse diário na época, então talvez esse primeiro diário não tenha muitos detalhes, mas vamos lá.....

Minha edição é a da CosacNaify de bolso, que eu comprei em uma promoção da amazon com mais de 50% de desconto, porque esse livro é muito caro e apesar de bonita eu acho muito frágil, principalmente para um livro desse tamanho.

O livro é dividido em 5 partes com vários livros em cada parte. Dessa vez, eu li o primeiro livro (Um Justo) da primeira parte (Fantine):

Nesse livro somos apresentados ao Bispo de Digne, o Sr. Charles-François-Bienvenu Myriel e que e posso dizer, ele é uma pessoa bastante peculiar, principalmente se levamos em consideração a época em que ele vivia, pois numa época em que a igreja era suntuosa e prezava pelo luxo, ele era um bispo que pode ser definido como humilde, simples e realmente preocupado com a população. Segundo, uma nota do livro o personagem parece ter sido inspirado em São Francisco e só por isso, já ganhou todo o meu respeito.
 
"Ser santo é exceção; ser justo é regra. Errem, desfaleçam, pequem, mas sejam justos."

Com relação a escrita eu estou achando bem gostosa e com  umas reflexões muito verdadeiras:

"Ensinem o mais possível aos que nada sabem; a sociedade é culpada de não instruir gratuitamente e responderá pela escuridão que provoca. Uma alma na sombra da ignorância comete um pecado? A culpa não é de quem faz, mas de quem provocou a sombra."

O bispo abriu mão da casa confortável em que vivia para trocar de prédio com o hospital para conseguir oferecer mais conforto aos enfermos e além disso, ele visitava lugares que outros religiosos não visitavam por medo dos bandidos, mas ele não deixa uma parte de seu rebanho sem assistência e sempre dá esse tipo de lição nessa sociedade que não costumava olhar para esse lado da pobreza.

Na página 76 tem uma discussão muito interessante entre o bispo e um convencionalista (eram pessoas que participaram da assembleia que assumiu o governo depois da revolução francesa e foram eles que condenaram Luiz XVI a morte) a discussão é em torno da revolução francesa sua importância e a barbárie envolvida. É interessante o quanto o convencionalista demonstra que a barbárie sempre existiu e você começa a relativizar um pouco a história.

Podemos dizer que o bispo era um homem de fé simples, principalmente pautada no amor, a sua filosofia era o evangelho, especialmente o versículo: "Amais uns aos outros assim como eu vós amei", bem no finalzinho dessa parte tem uma alusão ao cuidado que D. Bienvenu tinha com os animais e é impossível não ver a clara relação com São Francisco de Assis.

E assim finaliza essa parte do livro que nós apresentou a esse bispo interessante.

Vou continuar a leitura e provavelmente devo ler mais dois ou três livros (esses são menores que o primeiro) e depois voltamos a conversar.

Espero que gostem dessa novidade do blog,

Deixem sua opinião e se leram ou estão lendo "Os miseráveis" vamos compartilhar nossas opiniões,

Até mais,

Dani Moraes
 

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