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A longa viagem a um pequeno planeta hostil - Dia da Toalha #1

Becky Chambers
 "Tudo o que você pode fazer, Rosemary, assim como todos nós, é trabalhar para se tornar uma força positiva. É a escolha que todo o sapiente deve fazer todos os dias da sua vida. O universo é aquilo que fazemos dele. Cabe a você decidir que papel quer desempenhar."


 Um dos motivos do sucesso de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é a abordagem da história. Elementos essenciais em qualquer narrativa sci-fi estão muito bem representados, como a precisão científica e suas possíveis implicações políticas. O gatilho principal é a construção de um túnel espacial que permitirá ao pequeno planeta do título participar de uma aliança galáctica.

Mas o que realmente torna único esse romance on the road futurístico e muito divertido são seus personagens. Instigantes, complexos, tridimensionais. A autora optou por contar a história de gente como a gente — ainda que nem todos sejam terráqueos, ou mesmo humanos. A tripulação da nave espacial Andarilha é composta por indivíduos de planetas, espécies e gêneros diferentes, incluindo uma piloto reptiliana, uma estagiária nascida nas colônias de Marte e um médico de gênero fluido, que transita entre o masculino e o feminino ao longo da vida. Temas como amizade, racismo, poliamor, força feminina e novos conceitos de família fazem parte do universo do livro, assim como cada vez mais fazem parte do nosso mundo.


Olá Pessoal, tudo bem?

Vamos conversar um pouco sobre Ficção Cientifica? Sim, em maio comemoramos o dia de Star Wars e o Dia da Toalha e todos os anos eu tento ler pelo menos um livro de Sci-Fi e publicar próximo ao dia 25 de Maio, esse ano, estou fazendo um mini-especial com posts temáticos durante essa
semana.

A longa viagem a um pequeno planeta hostil foi um livro primeiramente publicado através de financiamento coletivo e acabou conquistando fãs e sendo indicado aos prêmios Arthur C. Clarke Award e o Hugo Award.
"Do chão, nós nos erguemos;
Nas nossas naves, vivemos;
Nas estrelas, sonhamos."

Nesse livro temos a história dos tripulantes da nave Andarilha, uma nave que faz tuneis espaciais ligando os mais diferentes mundo, que é formada por uma tripulação multi-especie, sendo humanos: o capitão Ashby, um homem bom e justo que busca sempre o melhor para sua tripulação, o intragável e solitário algaísta Corbin, Kissy, a técnica mecânica, super-animada, um pouco atrapalhada, mas amiga para toda hora, Jenks, o técnico de computação, um anão que tem muito orgulho do seu corpo e de quem ele é, e claro, Rosemary, a mais nova tripulante, uma guarda-livros que esta fugindo do passado. Além dos humanos, temos uma piloto reptiliana, um chef/medico gênero fluido e um navegador que vive em simbiose com um vírus que aumenta a capacidade cognitiva.

Andarilha é uma nave antiga praticamente uma colcha de retalhos formada por diversos remendos, mas que Kissy mantem funcionando a perfeição e é o orgulho do capitão e casa de toda a tripulação, dado que, a mesma costuma fazer grandes viagens, especialmente agora, que conseguiram um trabalho importante, uma vez que, uma nova raça entrou para a Comunidade Galáctica que é muito pouco conhecida.

Aos poucos somos apresentados aos personagens com suas personalidades, medos e sonhos. Todos diferentes entre si, com costumes diversos e muitas vezes contrários entre si. E esse é o grande trunfo do livro, nos trazer personagens tão diferentes, de espécies diferentes para discutir tolerância e aceitação.

Sissy, por exemplo, é de uma espécie que entende os relacionamentos, incluindo sexo, de uma forma mais aberta e não entende o puritanismo dos humanos. Dr. Chef é de uma espécie que esta quase extinta e tem gênero fluido mudando o sexo ao longo da vida. E navegador é de uma espécie que se permite ser infectada por um vírus para melhorar a capacidade cognitiva e passa a enxergar a si mesmo como um par. Tudo isso, parece muito estranho no primeiro momento, mas a Becky nos apresenta os personagens tão bem que nos vemos envolvidos e essas diferenças passam a ser apenas um detalhe.

Você começa a leitura do livro pensando que vai ler uma ficção cientifica, se encantar com um futuro e as descobertas que estão por vir, e sim, os elemento da ficção cientifica estão lá, com as naves, as tecnologias, as espécies sapiente não humanas, mas o verdadeiro tema do livro são as relações "humanas", o foco esta no desenvolvimento dos personagens, e então, nos percebemos refletindo sobre assuntos como: preconceito, aceitação, poliamor, força feminina, sexualidade e até o conceito do que seria vida, uma inteligência artificial consciente pode se considerada uma forma de vida?

"As modificações corporais  são sobre deixar o seu eu exterior em harmonia com o eu interior. Não que você precise das modificações para se sentir assim. No meu caso, gosto de decorar minha pele, mas meu corpo já reflete quem eu sou. Porém, alguns modificadores vão continuar com essa transformação pela vida toda. E nem sempre dá certo. De vez em quando, eles fazem um grande estrago. Mas é um risco que você aceita  quando tenta ser mais do que a caixinha em que nasceu. Mudar é sempre perigoso."

O mais importante é que estamos lendo sobre humanos, não tem um grande herói que vai salvar tudo, não pelo contrário, os tripulantes são pessoas que encontraríamos por aí, pessoas como eu e você cheias de qualidades, defeitos, medos, ansiedades e alegrias.

Becky Chambers tem a ciência correndo na família filhas de pai engenheiro espacial e mãe especialista em astrobiologia e neta de um dos participantes do projeto Apolo 11, a parte cientifica também não deixa nada a desejar.

Livro: A longa viagem a um pequeno planeta hostil
Autor: Becky Chambers
Edição: Darkside
345 páginas

Um livro mais do que recomendado a todos tanto para os amantes de sci-fi quando para aqueles que gostam de uma história bem contada que nos leva a refletir. Acredito também que esse é um bom livro de entrada para quem quer começar a ler ficção cientifica. E eu já falei que é um "road-trip" em uma nave?

E nem vou falar dessa edição linda, com todos esse glitter na capa simulante as estrelas.  Tão maravilhoso que até meu papel de parede do celular é desse livro.

Ele faz parte de uma serie, mas os livros são independentes entre si, então essa história encerra nesse livro e o segundo livro já foi anunciado pela Darkside e vai contar a história da Salvia e da Lovelace e estou empolgada para lê-lo.

E vocês já leram esse livro? O que acharam?
Até a próxima,

Dani Moraes

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2 comentários:

Cássia disse...

Não conhecia a obra mas fiquei bem curiosa para conferir a narrativa, ótima escolha para o Dia do Orgulho Nerd!

www.estante450.blogspot.com.br

As verdades que o pinoquio conta disse...

Cássia,
Se você tiver oportunidade leia o livro que é muito interessante!
Bjus

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