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O cemitério de Praga

Umberto Eco
 
 
 
Olá Pessoal tudo bem?
 
Vamos conversar sobre: O cemitério de Praga que foi meu livro do desafio do Skoob do mês de Novembro - livros que tratem sobre morte ou remetam a ela e escolhi esse livro por ter cemitério no nome, porém o livro não vai tratar diretamente sobre a morte.
 
O livro é ambientado no século XIX na Europa, a maior parte do tempo na França e na Itália. É baseado nos diários de um tal Simonini e a história é narrada de quatro formas diferentes: o autointitulado narrador narrando em terceira pessoa, baseado nos diários do Simonini; o Simonini narrando em primeira pessoa e o Abade Della Piccola narrando em primeira e em alguns momentos em terceira pessoa.
 
Todos os personagens do livro são reais e históricos, exceto o personagem principal, logo no inicio do livro o Simonini já relata um encontro que ele tem um certo médico judeu alemão ou austríaco (afinal a mesma coisa) um tal Froïde. No inicio, já conhecemos um Simonini envelhecido e muito ranzinza destilando todo o seu ódio às mais diversas nacionalidades, maldizendo italianos, alemães ("o mais baixo nível concebível de humanidade"), francesas e o principal foco no seu ódio: os judeus. Ele é anti tudo, anticlerical, anticomunista, antimaçônico, mas sobretudo antissemita.
 
 
"Meu avô me descrevia aqueles olhos que nos espiam, tão falsos que nos fazem empalidecer, aqueles sorrisos víscidos, aqueles lábios de hiena arregalados sobre os dentes, aqueles olhares pesados, infectos, embrutecidos, aquelas dobras entre nariz e lábios sempre inquietos, escavados pelo ódio, aquele nariz que parece o grande bico e uma ave austral... E o olho, ah o olho.... gira febril na pupila da cor de pão tostado e revela enfermidades do fígado, corrompido pelas secreções produzidas por um ódio de 18 séculos,  aperta-se em mil pequenas rugas..."
 
Logo no começo sabemos que o Simonini tem um problema psíquico, uma espécie de bloqueio que faz com que ele se esqueça de alguns detalhes sobre a vida, sem falar na misteriosa presença do Abade Della Piccola, claro que em algumas poucas páginas você já tem um palpite que é praticamente confirmado pelos personagens sobre a relação desses dois.
 
Simonini não é exatamente uma pessoa boa e confiável, logo descobrimos que a profissão dele não é assim tão licita e graças a esse talento especial ele se vê envolvido em muitos episódios históricos importantes, entre eles a unificação da Itália , a comuna francesa e também esta na origem de alguns documentos como: os documentos do caso Dreyfus e os protocolos de Sião, inclusive, o cemitério de Praga do título vem do cenário escolhido para ambientar o documento.
 
Os protocolos dos sábios de Sião são documentos que foram forjados pela policia secreta do Czar Nicolau II da Russia por motivos políticos, nele eram descritos o plano da suposta conspiração judia-maçônica para dominar o mundo. Hitler utilizou esses documentos como justificativa para a solução final dirigida aos judeus, inclusive já indiquei aqui no blog um documentário sobre Auschwitz  e o plano de extermínio dos judeus.
 
 
“Um dia será necessário tentar a única solução razoável, a solução final: o extermínio de todos os judeus. Até as crianças? Até as crianças. Sim, eu sei, pode parecer uma ideia típica de Herodes, mas, quando se lida com a semente ruim, não basta cortar a planta, convém arrancá-la. Se o senhor não quer mosquitos, mate as larvas.”  (Familiar??)
 

O cemitério de Praga realmente existe e fica em um bairro judeu em Praga e foi utilizado desde o inicio do século de XV até 1787, é o mais antigo cemitério judeu da Europa, tem mais de 12 mil tumbas visíveis, mas como as tumbas se sobrepõe pode chegar a 100 mil tumbas. Fato é que é mais um lugar para eu conhecer na Europa.
 
Esse livro fez uma coisa que eu adoro, por ser ambientado em fatos históricos reais  me despertou a curiosidade sobre os mesmos e me levou a pesquisar um pouco mais sobre, por exemplo, os carbonários, a unificação da Itália e os protocolos de Sião. Em um momento que ele fala sobre um tal pianista polonês tisico que andava com uma mulher transvestida, recorri ao meu amigo google e descobri que ele estava falando do Chopin, que teve um relacionamento com George Sand, considerada a maior escritora francesa e a primeira a viver de literatura, que tinha o costuma de utilizar roupas masculinas, da qual, eu nunca tinha ouvido falar.
 
O livro é muito bom e consegui manter o interesse, no entanto, a narrativa, às vezes, fica um pouco entroncada, culpa das frases longas, grandes descrições, além disso, temos algumas frases em latim, francês e italiano sem tradução (na verdade minha proficiência nessas línguas é um tanto decepcionante) que quebram o ritmo de leitura e como sabemos o Eco tem como característica a erudição, então não e incomum encontramos palavras como mixórdia, trôpegas e outras. Porém, isso não atrapalhou a minha experiência de leitura, mas achei importante comentar por aqui.
 
Esse livro também contou para o projeto lendo o mundo representando a Itália. 
 
Livro: O cemitério de Praga
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
479 páginas
 
Acho que é isso e vocês já leram esse livro ? Gostariam de ler? Deixem aí seus comentários.
 
Até mais,
 
Dani Moraes
 
 

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2 comentários:

Lígia disse...

Estou com esse livro na estante faz um tempão, mas ainda não me animei a ler. Acho o estilo do Eco meio cansativo :(

As verdades que o pinoquio conta disse...

Ligia,
As vezes a leitura fica meio cansativo sim, então não espere uma leitura muito rápido, mas acho que vale a pena leitura sim. Quando você sentir que é o momento dê uma chance ao livro.
Bjus,

Dani Moraes

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