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As aventuras de PI - Lendo o mundo #4

Yann Martel
"Escolher a dúvida como filosofia de vida equivale a escolha da imobilidade como meio de transporte."

Olá Pessoal,
Tudo bem ?

Hoje vamos conversar sobre o livro "A vida de Pi", mas que nessa minha edição ficou com o nome "As aventuras de Pi", por causa do filme e inclusive a capa é do filme, mas não ficou feia não, apesar de eu gostar bastante da original.


"O que as pessoas não entendem é que é só internamente que Deus precisa ser defendido, não externamente. Deviam dirigir a sua fúria contra si mesmas. Pois o mal exterior nada mais é que o mal interior que conseguiu escapar."

Esse foi o primeiro livro que saiu na minha TBR por país para o projeto Lendo o mundo, ele esta representando a Espanha porque o autor apesar de viver no Canadá é espanhol.

E vamos começar pelas polemicas: o autor teria plagiado um livro chamado "Max e os felinos" do autor brasileiro Moacir Scliar, mas o Moacir nunca processou o Yann e aparentemente, o autor espanhol admitiu que se inspirou em uma critica ao livro de Scliar e agradeceu ao mesmo no prefacio do livro (na minha edição não tem nenhuma citação ao Scliar). Deixando a polemica de lado o livro foi o vencedor do Booker Prize de 2002 e se tornou um filme de sucesso.

O livro conta a história de um garoto Pi Patel criado em zoológico em Pondicherry na Índia. Pi é um cara muito religioso, o problema é que ele não decide qual a religião seguir e se diz: católico, indu e mulçumano. Quando ele foi fazer faculdade estudou zoologia e estudos religiosos.

"Ás vezes, eu misturava os meus dois cursos universitários. Vários dos meus colegas de estudos religiosos - uns agnósticos confusos que não sabiam o que era o quê; que eram escravos da razão, esse falso outro que engana os tolos com seu brilho - me lembravam as preguiças-de-três-dedos; e esses animais, um belíssimo exemplo do milagre da vida, me faziam pensar em Deus."
Seus pais resolvem se mudar para o Canadá e depois de um naufrágio Pi acaba se vendo preso sozinho em alto mar com uma zebra ferida, uma hiena malhada, uma orangotango nauseada e um tigre-de-bengada chamado Richard Parker. E ele tem que usar todo o seu conhecimento em vida animal, sua esperteza e sua fé para sobreviver os 227 dias que passa a deriva em alto mar.
O livro é muito reflexivo e acaba trazendo várias discussões e uma das primeiras que surgem é sobre os zoológicos e aqueles que defendem o fim deles e que falam dos zoológicos como prisões e etc, eu achei o ponto de vista bem interessante e vou transcrever um trecho:
"Na natureza, os bichos levam uma vida de compulsão e necessidade, dentro de uma hierarquia social impiedosa, num hábitat em que o medo existe em altíssima escala e a comida é escassa, o território precisa ser constantemente defendido e os parasitas eternamente suportados. Qual o significado da liberdade num contexto como esse? Na prática, os animais não são livres no espaço nem no tempo, e tampouco nas suas relações pessoais.." "Não vivemos dizendo 'Nada como a nossa casa'? Com certeza, os animais sentem a mesma coisa. Eles são seres territoriais. Essa é a chave para compreender a sua mente. Só um território familiar pode lhes permitir arcar com os dois imperativos da natureza: evitar inimigos e conseguir água e comida. O cercado do zoológico sadio, do ponto de vista biológico (...) é pura e simplesmente um outro território cujas únicas peculiaridades são o tamanho e a proximidade com o território dos humanos."
Como eu disse o livro é muito reflexivo, porque o Pi acaba tendo uma relação com os animais em alto mar e, especialmente, com o Richard Parker que leva a muitas reflexições sobre a vida, sobre a fé e, inclusive, ficamos em dúvida se isso tudo não é só uma parábola para representar as diversas facetas do próprio Pi.
O livro é formado por capítulos pequenos e isso ajuda bastante a leitura a ficar mais fluida e também faz com que o livro tenha um ritmo bem interessante, pois a cada capitulo é tratado um assunto, às vezes, é um relato da vida diário e no seguinte temos uma reflexão sobre um aspecto da vida e nesse quesito, o capitulo 56 que tem como temo o medo é sensacional!
" Preciso dizer uma coisa sobre o medo. Ele é o único adversário efetivo da vida. Só o medo pode derrota-la. É um adversário traiçoeiro, esperto..."

Esse livro é citado em 1001 livros para ler antes de morrer:

Esse livro me fez pensar bastante e realmente recomendo a leitura, esqueçam um pouco as polemicas, se nem o Moacir Scliar quis ir atrás, deixem vocês também isso para lá e apreciem a obra. Ele esta sempre em promoção bem baratinho.

Preciso falar um pouquinho da minha edição, é capa do filme como eu disse, mas eu estou muito satisfeita com as edições da Nova Fronteira, assim como Morte Súbita, o papel é uma delicia de ler e o livro é um "Paperback" de qualidade não escarça e o livro fica novinho depois de lido.


Livro: As aventuras de Pi (A vida de Pi)
Autor: Yann Martel
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2012
371 páginas

Atualizando o projeto:

Afeganistão: Khaled Hosseini – O silencio das montanhas
África do Sul: Shaida Kazie Ali – Not a fairy tale
Alemanha: Schopenhauer – A arte de ser feliz
Austrália: Markus Zusak – A menina que roubava livros
China: Da Chen – A montanha e o rio/Sun Tzu – A arte da guerra
Espanha: Yann Martel: As aventuras de Pi
EUA: Sylvia Plath – The Bell Jar/J.D. Salinger – The Catcher in the rye
França: Vitor Hugo – Os miseráveis/Alexandre Dumas - O conde de monte Cristo
Grécia: Platão – Apologia de Sócrates
Holanda: Barbara Stok - Vicent
Índia: Lawrence Durrell – O quarteto de Alexandria
Irã: Marjori Satrapi - Persépolis
Irlanda: Oscar Wilde – O retrato de Dorian Gray/Marian Keyes – A estrela mais brilhante do céu
Itália: Umberto Eco – O cemitério de Praga
Japão: Mushashi – O livro dos cinco anéis/Yasunari Kawabata – O pais das neves
Peru: Mario Vargas Llosa – A tentação do impossível
Reino Unido: Arthur Conan Doyle – Um estudo em vermelho
República Tcheca: Franz Kafka – O processo
Rússia: Dostoiévski - Recordações da casa dos mortos/ Irmãos Karamázov
Suecia: Stieg Larsson – A menina que brincava com fogo
Suiça: Carl G. Jung – O homem e seus símbolos
Uruguai: Eduardo Galeano – Días y noches de amor y de guerra


Por hoje é isso,

Se você já leu esse livro e quiser comentar vou ficar bem feliz. Se gostou clique aqui do lado para seguir o blog e saber das novidades em primeira mão. Curta também a página no facebook, lá você vai saber as novidades do blog e do mundo da literatura e muito mais.

Abraços,

Dani Moraes

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2 comentários:

Lígia disse...

Estou com esse livro aqui em casa, mas tenho um certo receio em ler porque parece ser meio parado e reflexivo demais.
A capa original é muito bonita :)

As verdades que o pinoquio conta disse...

Lígia,
É realmente meio parado, mas ao mesmo tempo (por mais estranho que pareça) me deixava curiosa pelo que ia acontecer porque querendo ou não é uma história de sobrevivência, no final acho que vale a leitura.
Bjus,

Dani Moraes

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