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Trash

Andy Mulligan
 

Olá Pessoal,
Tudo bem?

Hoje nós vamos conversar um pouquinho sobre o Trash, eu descobri esse livro através da Isa do Lido Lendo e fiquei interessada, mas eu acho que os livros da Cosac tem preços muito abusivos por isso,  apenas retive a informação que seria interessante. E então, a CosacNaify fez um bota fora e eu encontrei o livro por R$ 15,00 (aliás, acho esse um valor justo) e acabei comprando.

Estou um pouco reticente em fazer uma sinopse desse livro, porque para mim, o mais legal é não saber nada sobre o livro e ir descobrindo ao decorrer da leitura. Esse é um livro infanto-juvenil com suspense e uma pegada detetivesca sem ter detetive.

O livro é focado em três garotos que vivem no lixão de Behala (um lixão fictício, em um pais não definido, mas que foi inspirado em um lixão real de Mali, nas Filipinas): Raphael, Garbo e Rato. O livro começa com relato de Raphael de como é a vida no lixão, a relação entre os catadores, a diferença entre os caminhões que vem de bairros pobres e ricos.

"As pessoas me falam: 'Nunca se sabe o que você pode encontrar mexendo no lixo! Hoje pode ser seu dia de sorte'. Eu respondo: 'Camarada, acho que sei muito bem o que vou encontrar' (...) É esta única palavra: barro, que nada mais é - sem querer ofender - do que dejetos humanos."
 
Um dia, Raphael encontra uma bolsa com: uma carteira, um pouco de $ (que para eles é uma fortuna), uma identidade, uma chave e uma foto. Ele divide seu segredo e tesouro com o seu melhor amigo Garbo, no entanto, no dia seguinte a policia chega ao lixão e oferece uma recompensa pela bolsa, mas os meninos não tem muitas razões para acreditar na policia e resolvem investigar por conta própria o que significa tudo aquilo e para isso contam também com a ajuda do pequeno Rato, um garoto que vive sozinho em um buraco no lixão.
 
E então, os meninos começam a investigação e tem toda a sorte de empecilhos, afinal, eles são só crianças e crianças do lixão e acabam contando com a ajuda involuntária dos voluntários da escola missionária. O mistério leva os meninos a se envolverem em coisas muito perigosas ligadas a corrupção na policia e na politica. E tem toda uma critica social, envolvendo principalmente países em desenvolvimento, que não só negligenciam suas crianças, como tem sistemas carcerários desumanos e convivem com a corrupção como se tudo aquilo fosse normal. É muito triste a conclusão que uma das voluntárias da escola chega em o que ela aprendeu em Behala:
 
"Aprendi mais do que seria possível aprender em qualquer faculdade. Aprendi que o mundo gira em torno de dinheiro. Há valores, virtudes e morais; há relacionamentos, confiança e amor - tudo isso importa. No entanto, o dinheiro é mais importante, e pinga o tempo todo, como se fosse água. Algusn bebem muito dessa água; outros passam sede. Sem dinheiro, você encolhe e morre. A falta de dinheiro cria um deserto onde nada cresce. Ninguém sabe o valor da água até morar em um lugar árido e seco - como Behala. Tantas pessoas moram lá, esperando a chuva chegar."
 
 
 
O livro é contado alterando as visões dos três garotos e temos alguns capítulos escritos por outros personagens. Além da, alteração na fonte que marca essa troca de narrador também é possível notar a diferença no estilo da escrita entre os garotos, muito marcada pela personalidade dos mesmos.  O Garbo é mais direto, realista e protetor, o Raphael apesar de realista traz um quê de esperança e docilidade na sua escrita, o Rato tem uma descrição mais perspicaz e observadora.
 
 
A edição do livro é linda como são os livros da Cosac, alteração na fonte foi uma sacada bem interessante, a capa e as artes dentro do livro com lixo estão completamente no clima do livro. O livro veio com uma cinta do filme.
 
 
Aproveitei para assistir o filme de 2014 que é uma produção britânica-brasileira e foi rodado no Brasil com Selton Melo e Wagner Moura e o filme esta excelente. Os atores mirins trabalham muito, muito bem! O filme foi adaptado a realidade do Rio de Janeiro, inclusive no quesito música, gírias e etc.
O filme deu uma suavizada em uma das cenas bem fortes entre o Rafael e os policiais, mas é uma suavizada bem entre aspas porque cumpre-se a função.
O que eu achei que modificou foi um pouco a personalidade do Garbo, no livro ele era mais protetor e mais arisco e esse Garbo ficou bem mais um menino da periferia brasileira com a ginga e a alegria do brasileiro. Gostei bastante do filme e acho que vale muito a pena a leitura.
 
 Livro: Trash
Autor: Andy Mulligan
Editora: CosacNaify
Ano: 2013
Páginas: 224
 
 
Se você já leu esse livro ou quer lê-lo vamos conversar nos comentários e se você gostou do conteúdo do blog não esqueça de segui-lo e curtir a página no facebook para receber as novidades em primeira mão.
 
 
Até mais,
 
Dani Moraes


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4 comentários:

Francine Nunes disse...

Eu comprei esse livro no bota fora da Cosac também.
Eu assisti o filme e gostei bastante e quando soube que havia um livro fiquei muito interessada, ainda não li, mas pretendo ler em breve e pela a sua resenha o livro é muito bom!
Abraços

Blog De Leitor para Leitor

As verdades que o pinoquio conta disse...

Francine,
Com certeza você não perdeu o seu $, lê sim que você vai gostar.
Abraços,

Dani Moraes

Lígia disse...

O livro parece ser muito interessante. Eu já estava querendo ler e agora quero ler ainda mais! Gosto de quando o autor alterna os pontos de vista e consegue criar vozes distintas para cada um.

As verdades que o pinoquio conta disse...

Ligia,
Eu também gosto bastante da alternância de pontos de vistas pois, dá uma visão diferente da história.
Bjus,

Dani

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