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Porque vale a pena assistir: Cara Gente Branca


Olá Pessoal,

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre essa nova serie do Netflix que estreio em 28 de abril, mas que infelizmente não teve a mesma ação de marketing do que Os 13 porquês, por exemplo, mas que sim merece e deve ser vista por mais pessoas.

Baseado em um filme de mesmo nome, criada por Justin Simien e dirigida por Tina Mabry, Barry Jenkins, Charlie McDowell e Oscar Barry Jenkins (o premiado diretor de Moonlight) a serie conta com 10 episódios em torno de 30 minutos cada, sendo cada um focado em um personagem diferente.

O lançamento dessa serie veio acompanhado de muitas controvérsias com algumas pessoas protestando e declarando nas redes sociais o cancelamento da assinatura da Netflix acusando a serie de racismo reverso e até mesmo de incitar o genocídio branco (oi??).

A serie acompanha um grupo de alunos negros em uma universidade importante norte-americana com predominância de pessoas brancas e inicia quando uma revista humorística chamada Pastiche resolve fazer uma festa de Halloween no estilo blackface (quando pessoas brancas se "fantasiam" de negros pintando o rosto e usando perucas), e os alunos negros do campos decidem fazer alguma coisa e acabar com a festa. Essa festa foi o estopim para explodir os conflitos entre os alunos do campus.


A serie traz a tona alguns assuntos incômodos, primeiro de tudo, o racismo existe e é mais presente nas nossas vidas do que gostamos de admitir. Em diversas cenas na serie isso fica muito claro, desde flashback das vidas dos personagens até um dos momentos mais importantes e impactantes da serie que acontece no quinto episodio e que choca os brancos e indigna os negros, mas que infelizmente é muito comum.

Outra parte interessante é que a serie procura mostrar a pluralidade existente entre a comunidade negra do campus, ou seja, não é porque todos são negros que o discurso ou as atitudes são as mesmas, nesse contexto temos a Sam (Logan Browning) a líder revolucionária, apresentadora de um programa de rádio muito provocador aquela que esta sempre trazendo a discussão a tona, mas que se apaixona e namora um branco - Gabe (John Patrick Amedori), na linha revolucionaria ainda temos Reggie (Marque Richardson), um gênio da programação e eterno militante da causa, mas também temos aqueles que preferem conquistar cargos de poder para fazer a revolução pelo lado de dentro como Troy (Brando P. Bell), o garoto bonito e bem educado, filho do reitor, mas que no final faz de tudo para ser aceito e Coco (Antoinette Robertson), a garota que já sofreu muito e só procura uma forma de se sentir integrada a sociedade e claro, temos Lionel (DeRon Horton), o aspirante a jornalista que prefere utilizar as palavras como arma. E isso, é legal porque mostra que em qualquer grupo tão grande é impossível ter uma única voz.

Outra figura interessante na serie é o Gabe, acho que a figura dele foi colocada bem a proposito, ele não é de forma alguma preconceituoso, pelo contrário ele é apaixonado por Sam e acaba caindo em meio a comunidade negra da universidade, mas é tão clara e óbvia exclusão que ele sente, como as ideias e opiniões dele são ignoradas fazendo com que ele prefira não as expressar, que acho que foi o contraponto utilizado para mostrar como os negros se sentem em ambientes em que na maioria das vezes eles são os excluídos. Mas ele é um personagem interessante e o relacionamento Sam e Gabe é muito importante para serie.

A serie também toca muito levemente no preconceito e exclusão sofridos por outros grupos étnicos, especialmente, pela asiática que acaba em um dado momento se juntando a turma negra, mas também em outras cenas quando Troy visita diversos grupos no campus.

Outro ponto discutido pela serie é a apropriação cultural e esse é um assunto complicado e complexo, principalmente em um pais miscigenado como o nosso, não acho que ouvir rap ou usar turbante seria uma apropriação cultural, mas da mesma forma que eu não acho certo alguém se fantasiar de nazista blackface é ridículo, porque é sempre uma situação em que os representados são ridicularizados. Eu sempre reclamo de que o mundo esta chato e que muitas pessoas se levam a serio demais para entender uma piada, mas há um limite entre uma piada e o desrespeito, e sim, o background histórico conta, então não, não há racismo reverso porque ser branco nunca foi "errado" ou "feio" e cabelo liso nunca foi "ruim", então não dá para querer reverter a situação.

E além de tudo isso, a serie discute o próprio movimento em si e as diversas formas de se colocar na posição de reivindicadores, em diversos momentos na serie os personagens se questionam sobre qual seria a melhor atitude e no finalzinho na temporada vemos a Sam sendo confrontada de forma direta e realmente sentindo se abalar nas suas convicções e meio que trocando de papel com alguns personagens que representavam a moderação. E ainda nesse contexto, estava lendo alguma opiniões na internet sobre a serie e me deparo com um artigo muito bom, mas que, em uma de suas partes fala sobre o colorismo (que seria a diferença sofrida dentro da própria comunidade negra por ter tons de pele diferente) o artigo cita que aproximadamente 40% da população brasileira se declara parda (eu me incluo nesse número) e que isso pode representar uma vontade do brasileiro de se sentir mais branco e uma dificuldade de assumir a sua negritude,  olha o discurso extremo bem aqui, eu não sou branca, minha pele é parda (não acho outra definição) tenho o cabelo cacheado ou crespo a forma que quiser chamar, mas eu não sou negra, não tenho ascendentes diretos negros, pelo contrário minha família é um exemplo de miscigenação, mas alguém pré supõe que o fato de me declarar como parda é porque de alguma forma eu me envergonho da minhas raízes negras? Para esse tipo de pensamento vai a frase de um dos personagens "Não me incluo em rótulos". Será que tentar classificar as pessoas é a melhor forma lutar contra o preconceito, seja ele de qual tipo?

Por isso, você deveria assistir a serie, olha quantas reflexões ela é capaz de suscitar, gostaria de ressaltar que eu não sou especialista em nenhum dos assuntos que eu trouxe para discussão, não sou a dona da verdade e essas são as reflexões que a serie me estimulou a fazer, são minhas opiniões e podemos conversar sobre elas, desde que, seja de forma respeitosa.


Até a próxima,

Dani Moraes


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